Acordando


A ideia deste blog veio intuitivamente. Não foi através da leitura dos incontáveis livros e artigos para os quais já dediquei tempo e juventude. A leitura é a mãe que cuida da escrita, mas não é necessariamente uma parteira de ideias. Este blog veio do silencio pós-sono e o celebra com gratidão. Segundos de quietude diários que reconectam o compromisso com a vida. Esse compromisso se divide basicamente em individual e coletivo. O compromisso individual é não desistir de buscar a Verdade, nem negá-la por capricho. O coletivo é fazer as pessoas despertarem para essa busca.

Todos têm missões consigo e com os outros que precisam ser realizadas para a vida valer a pena. É a chamada autorrealização. A felicidade mais profunda que só é alcançada por meio do autoconhecimento. Os momentos de silencio são valiosos porque eles marcam o início da desvinculação necessária com os estímulos que dispersam nossa atenção do essencial.

À medida que o tempo passa em remanso, todos os pensamentos dispersivos vão se desintegrando em nossa mente, sem que ela jamais esvazie. Mesmo nos estágios meditativos mais avançados algo ainda persiste. Esse algo somos nós. E a resposta básica para a autorrealização e felicidade profunda vem por intuição. Nos deparamos com o significado de nossa liberdade. Ela se encerra naquilo que somos. Ao mesmo tempo, deixa a pista que podemos crescer com aquilo que não podemos deixar de ser. Podemos aumentar a energia da nossa natureza ad infinitum.

A liberdade de cada um está faculdade de perpetuar a expansão de seus inalienáveis talentos até que o tempo acabe. Os talentos são as características intrínsecas do nosso ser. São os elementos abstratos que no encontro com a fisionomia e trajetória asseguram a individualidade.

Um talento não pode ser confundido com uma mera pré-disposição. Um exemplo simples: uma pessoa alta e saudável tem pré-disposição para praticar basquete. Isso não quer dizer que esse seja seu talento. Senão bastaria juntar as pessoas mais altas e então se teria o melhor critério para uma seleção de basquete. A vida não foi feita para que as coisas funcionem assim. Também não é tão misteriosa a identificação do talento a ponto de tal reconhecimento exigir uma capacitação específica. Talento é o que gostamos ser e fazer ante nosso horizonte de possíveis. É a expressão máxima da nossa missão e pode ser qualquer coisa e várias coisas. A expressão do talento é o gostar e o ser humano é capaz de se entregar prazerosamente às mais diversas atividades e formas de expressão de si.

Assim como não há quem não goste de alguma coisa, não há quem não tenha talento. Geralmente as pessoas não teorizam sobre o porquê de seu gostar. Gostam simplesmente, e os talentos se manifestam logo na mais tenra idade. Ora por meio de influência explícita, ora implícita, conformando as possibilidades de expressão percebidas, que nada mais são que alternativas de integração com a energia do mundo. Combinando-se ou não com a pré-disposição. Mas sempre em diálogo com as condições com as quais se vive. O que quer dizer que se por um lado a liberdade de expansão dos nossos talentos não encontra limites subjetivos, dado que o ser não tem limites, ela pode encontrar constrangimentos objetivos. Por isso é crucial observarmos atentamente a nós mesmos e o mundo. Sem medo do que podemos descobrir.

A descoberta é o sentido da vida. O processo de descobrimento é doloroso só enquanto persiste a dúvida. A felicidade suprema trazida pela iluminação é o farol para onde nunca podemos deixar de ir. Sob pena de ficarmos estanques na calmaria do sofrimento perpétuo, negando nossa essência. A felicidade exige a busca, o movimento. O que poucos entendem, todavia, é que essa busca começa na direção interior, de si, o inire. A primeira hora é a hora do mergulho. Nas profundezas, vemos a luz sobre nossas cabeças. Lá tudo faz sentido e é onde e tudo começa. A luz de cada um mostra sua direção a seguir e lhe serve de combustível e farol.  Orientados pelo farol certo, intuímos que apenas navegar é preciso. Não há mais tantas preocupações. A não ser o compromisso de se manter desperto. Todos os dias.

ps: a intenção é de escrever um post mensal. No próximo, farei algumas proposições para uma conduta ética simples e eficiente, com foco no dia-a-dia, na concretização de valores ao alcance das mãos.



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Comentários

  1. ainda vou ler um livro seu! Like:)

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  2. Já tava na hora de criar um blog, hehe.

    Agora um post mensal é muito pouco..

    Abração, Gabriel!

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  3. Mais um espaço para apreciar seu talento!:)

    Beijos, Maroca

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  4. Romero!!! Parabéns pelo Blog... etapa inicial de uma promissora cosntrução literária. Bjs Denise Maia

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  5. Um post mensal é foda!
    É a mesma coisa que um cara alto que ama e tem talento pro basquete só querer fazer uma cesta por jogo e sair porque ele tem que ir pra aula de hipismo que ele odeia.
    Leo

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  6. Meu, sou o oposto. Não consigo pensar em nada depois de acordar. O despertar é sempre correndo, atrasado, mau-humorado, preguiçoso, etc e tal.
    A hora da reflexão é antes de dormir. Por vezes, mesmo com todo o cansaço o cérebro não desliga. Fica reprisanddo o filme do dia, da semana... conectando e fazendo relações.
    até.

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  7. Fica bravo não hein?

    http://www.altnewspaper.com/?p=724

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  8. Lindo e iluminado texto!
    Parabéns!

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