Traduzindo a liberdade, descomplicando a Estatística (parte 1)






"Liberdade, essa palavra que
o sonho humano alimenta que
não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda."
("Ilha das Flores"... Ops! Cecília Meireles)

Quando um estudante começa a ler sobre análise de dados, uma das dúvidas mais recorrentes é sobre "graus de liberdade". O conceito é bonitinho. Deve até soar romântico para os apaixonados, e servir de matéria-prima para os poetas. Mas quando se trata de entender sua aplicação na Estatística, muita gente não consegue compreender para quê serve e faz os cálculos no automático. Quando faz.

Muito dessa angústia se deve aos livros especializados cujos autores (ou pior, tradutores) não conseguem se expressar em frases fáceis. Vamos aliviar... Ok. É muito difícil expressar ideias matemáticas numa linguagem fácil. Se falando e gesticulando para explicar um negócio desses para alguém já é complicado, imagine por escrito! Como dizia o Barão de Itararé: “Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades”. Mas como a demanda é grande, a vida, curta, e a importância de saber, imensa, vou tomar a “liberdade" de rabiscar uma explicação didática aqui. Deixando claro que muitos detalhes da teoria que embasa o que vou escrever serão suprimidos em nome de um esclarecimento inicial urgente.

Bem, dizem que se um analista de estatísticas for colocado numa jaula, ele não fica preso, ele fica com “zero grau de liberdade”. Realmente não seria essa a melhor explicação. Mas até que não atrapalha e, por isso, ajuda. Dá para extrair um primeiro lampejo de entendimento dessa piadinha sem graça. Estar numa situação de zero grau de liberdade equivale a não ter autonomia para absolutamente nada. A vida de um analista numa situação dessas, metaforicamente, resume-se a um corpo estendido no chão. Semimorto. Que bela metáfora...

Só temos uma única informação sobre aquele ser: o coitado está ali, ele existe. Se temos apenas uma única informação sobre uma “variável” (aquele cidadão que poderia ser tanta coisa na vida se não estivesse ali, enjaulado) não temos “liberdade” de fazer qualquer estimativa com isso: é zero grau. Se pensássemos em notas escolares, para cessarmos de tanto drama, entendemos facilmente que com a nota de apenas um aluno não temos quaisquer condições de estimar outras notas. Com duas notas desse mesmo aluno com o passar do tempo, imaginando-as como dois pontos num plano cartesiano, já temos condições de ligá-las por uma reta e fazer alguma estimativa medonha a respeito da evolução (ou não) desse estudante.


Logo, a que o conceito de grau de liberdade se refere?! À quantidade de informação, meu querido, minha querida! Bingo! Mas não temos a “liberdade” de parar por aqui. Sei que o leitor ainda não tem informações suficientes para entender bem esse conceito. É preciso explicar como isso funciona e para quê serve dentro de uma análise, na prática. Vai ser só um pouquinho mais trabalhoso, e terei que adiar para uma parte 2 deste post. Assumo esse compromisso. Até já!




ps 1 - se tiver interesse, conheça o Minicurso de Gestão de Projetos Sociais e Culturais que ocorrerá dia 9/9/2014, em Recife.

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Comentários

  1. 01% curiosa a respeito do fim desta história, numa noite quente de sábado, tomando vinho branco seco, parafraseio agora o Barão de Itararé: " pior seria, se pior fosse"....não, não se trata de um filósofo. Mas sim, de uma mãe, uma mãe de uma grande amiga, que praticamente me adotou como filha em longos anos de faculdade em Recife...oras, uma filósofa ao final das contas.

    beijos de uva.

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  2. Parabéns pelo inicio de sua explicação: coloquial, de fácil compreensão, metafórica e humorística. Aguardarei sua continuidade. Abs Abraão

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    1. Já foi publicada a segunda parte, Abraão. Basta dar uma olhadas nos posts q vieram logo depois. Acredito q seja o primeiro ou segundo em seguida. Grato pela leitura. Abraço, meu querido!

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    2. Achei o link direto pra você: http://despertador-br.blogspot.com/2015/11/traduzindo-liberdade-descomplicando.html

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