Vereadores, será possível?!



Para quem não sabe, existe um político chamado José Antônio Reguffe. Ele se elegeu deputado federal em 2010. Mesmo contando com grande popularidade, o que poderia permitir que relaxasse, ele fez isto:



E terminou influenciando algumas pouquíssimas pessoas. Entre elas, um colega de Câmara, Carlos Sampaio, que abriu mão de mais de 10 mil reais (60%) de aumento de salário:



Essas jóias raríssimas da política não deixam de ser ótimos exemplos contra a imoralidade que impera entre os vereadores do Recife.
Composição da mesa no dia de abertura do ano legislativo.

Um deles disse, logo depois da sessão solene de abertura dos trabalhos legislativos em 1 de fevereiro de 2012, olhando nos meus olhos e diante de algumas poucas dezenas de cidadãos, que não podia fazer nada para revogar o aumento de 62% que ele e seus pares se concederam, porque seria "uma questão que vem automaticamente do Congresso Nacional e que só poderia ser resolvida lá". Essas foram as palavras de um vereador¹ do lado de fora da Câmara quando interrogado pelos manifestantes titulares do poder constitucional.

Enquanto outro vereador, licenciado para assumir uma pasta da Prefeitura de João da Costa, deixava a sessão solene fazendo piadas com o protesto popular e desistia de sair pela porta da frente da Câmara, ao lado de uma mulher que se dizia com receio de ser vista em trajes elegantes pelos manifestantes e “entrar pra história do Google”. Seja lá o que isso signifique, eram apenas essas suas preocupações. E também, discretamente, ria.

Durante a sessão, todos se comportaram como se não estivesse acontecendo nenhuma mobilização popular do outro lado da porta. Exceto Priscila Krause que mencionou a urgência de reverem os critérios para os vereadores reajustarem os próprios salários.

Uma causa que só terá efeito, numa casa infestada como aquela, se houver muita coragem. Tal qual a coragem demonstrada nos exemplos acima. Lembrando que, como Reguffe, quem sabe faz a hora e não espera acontecer.

Minha sugestão é que, idealmente, os vereadores passem a ter seus vencimentos próximos ao valor do "salário mínimo constitucional", calculado pelo Dieese. Proposta muito drástica ou inviável porque encerraria uma redução salarial? Tudo bem, mas é minha primeira proposta. Secundariamente, sugiro que possam reajustar seus salários apenas para repor a inflação acumulada no período, usando um índice de preços calculado sobre uma amostra local (dados desse tipo podem ser encontrados no IBGE, FGV, ou mesmo na Fundaj/PE), e respeitando o princípio da anterioridade e o teto de "75%" já estabelecido, naturalmente.

Cidadãos, abram os olhos. Participem sem a necessidade de que aconteça uma mudança imediata, mas por princípios. Mobilizem-se, porque é o que se deve fazer, porque o bem-estar depende do civismo.

E vereadores, abram mão.

Nota (¹): por causa de frequentes perseguições a blogueiros, omiti os nomes do vereadores. Mas posso informar aos interessados que entrarem em contato.


ps: vereador na Suécia nem sequer recebe salário:
- Petição on-line pela anulação do aumento de 62% da remuneração dos vereadores de Recife:
- um exemplo máximo de civismo, quase inacreditável, pode ser visto no vídeo sobre Pedro Rios Leão, a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=EORnfrgwyFQ
-
grato pelo alerta da amiga Isabella Costa acerca da inconstitucionalidade de uma vinculação do salário de servidor em cargo eletivo a qualquer tipo de salário mínimo.

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