Conselho de gestão





"Deus, dai-me a serenidade para aceitar
as coisas que eu não posso mudar,
coragem para mudar as coisas que eu possa,
e sabedoria para que eu saiba a diferença;
vivendo um dia a cada vez, aproveitando um
momento de cada vez; aceitando as dificuldades
como um caminho para a paz; indagando,
como fez Jesus, a este mundo pecador,
não como eu teria feito; aceitando que
tornaria tudo correto se eu me submetesse
à Sua vontade para que eu seja razoavelmente feliz
nesta vida e extremamente feliz com o
Senhor para sempre. Amém.",
oração de Reinhold Niebuhr, teólogo
protestante que viveu de 1892 até 1971



Nem tudo é cultural no "reino" das relações humanas. Fazer jovens acreditarem que tudo é cultural e, por isso, tem origem exclusiva na forma como as pessoas são criadas, é uma conduta tão comum quanto irresponsável entre alguns “professores”.

É por causa desse tipo de ensino falacioso e pouco científico que decisões mal sucedidas são tomadas na gestão do Estado, entre elas as que querem remediar impulsos naturais dos seres humanos com proibicionismo. Proibir impulsos naturais sempre tem como consequência, por um lado, o aparecimento de das máfias e, por outro, a mobilização resistências por parte de grupos que não conseguem viver sufocados.

Entendendo que nem tudo é cultural, fica possível minimizar a frequência de certas condutas não aprovadas socialmente, apenas fazendo uso de propaganda e educação de qualidade. Ou seja, são políticas que gestores com parcos recursos sob sua administração, ou pouco esclarecidos ou mal intencionados (porque conseguem ganham mais dinheiro livre de imposto, sujo, na vigência da proibição) não têm intenção de executar e, assim, lançam mão do autoritarismo inócuo.

A maior lição econômica que eu já recebi na vida foi de um prof brasileiro, Paulo Sandroni, que dizia, e eu vivo repetindo pros meus amigos: “não adianta reclamar que o leão é carnívoro, eis a natureza do rei dos animais”. A boa gestão se preocupa primeiro em delinear democraticamente quais as condutas que devem ser incentivadas e as que não devem. Depois, estudar e debater como devem ser construídos e em que nível devem operar os incentivos e as sanções. Em seguida, manter uma agenda aberta e cíclica  para crítica dessa própria estrutura democrática de gestão e o regimento a ela relacionado. Por fim, deve aplicar tudo que fora decidido democraticamente, com absoluta lógica, objetividade e transparência, no interstício entre os momentos formais de autocrítica.

Esse, na minha opinião, é o melhor exercício de aceitação e tolerância no âmbito de uma gestão, dado que nem tudo é cultural, e o que não pode ser mudado tampouco adianta que seja proibido. Parece simples, mas pouca gente entende isso.


Ainda há uma boa noticia que eu deixei propositalmente aqui pro final: seres humanos calmos, conhecedores e praticantes de técnicas que promovem a sensação intrínseca de paz de espírito, e a sensação verdadeira de prazer e plenitude por meio de sentimentos como gratidão, humildade, compaixão, perdão e amor incondicional (como da forma especialmente ensinada por outro prof., Fábio Hazin), tornam-se cada vez mais capazes e conscientes de evitarem tendências destrutivas naturais. E isso é o que finalmente traz ótimos resultados espontâneos num ambiente democraticamente regrado, como pincelei acima, fundamentado numa liberdade madura.



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