Obama nas alturas, no Cristo e na mídia



Só resta mesmo o senso crítico para nos manter saudavelmente atentos a todos os lados envolvidos no debate político. Também é necessário esforço de pesquisa rigoroso para entendermos a interrelação dos fatos ligados aos governos e governantes.

A passagem do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, cujo nome é no mínimo interessantíssimo, Barack Hussein Obama II, pelo Brasil, fez-me pensar não apenas acerca de seu papel hoje, mas sobre sua chegada ao poder. O que representa e, principalmente, como ela foi gestada.

Sua mulher, Michelle (socióloga por Princeton, vale salientar por motivos pessoais), parece interpretar a ascensão de sua família como algo expansível a qualquer mortal. Segundo palestrou para um grupo de jovens: "Olhem para mim. Tudo é possível". Uma indução bastante simples, mas não menos motivadora, evidentemente. Todavia, constrangedora para uma socióloga. Porque ela, por meio do dito chavão, foi capaz de agregar dois tipos de falácias: generalização apressada e dicto simpliciter.

O vídeo abaixo é um convite à pesquisa para todos os amigos que estão tomados de grandes expectativas com relação ao Obama. Por acaso já pararam para pensar de onde vem toda essa nossa expectativa? Será que ela é de fato nossa? Talvez, se tomássemos conhecimento que desde fevereiro de 2007, ele, o nosso Obama, já aparecia como protagonista em reportagens, digamos assim, bastante incentivadoras de sua candidatura, poderíamos perceber mais claramente o nível de manipulação a que somos submetidos. Pergunto-me, diante da quantidade de evidências, se alguém já sabia que ele ia ganhar e, por conseguinte, qu'est-ce que la démocratie?

Segurem um pouco os pré-julgamentos sobre minha posição política. Entendo evidentemente a importância simbólica de um negro na presidência dos EUA. Nada contra Obama a priori. Muito antes pelo contrário! Definitivamente, seus méritos e competências não são o que discuto aqui. Se eu americano fosse, teria votado nele. Mas não sendo, e tendo visto as coisas como vi aqui do Brasil, prefiro continuar incentivando a inquietação como pré-requisito para a verdadeira liberdade.

Matéria em Fev. 2007: http://veja.abril.com.br/210207/p_062.shtml

Matéria em Jan. 2008: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/01/080131_lucasmendes_tp.shtml

Matéria em Jan. 2008: http://veja.abril.com.br/160108/p_056.shtml

Matéria em Jan. 2008: http://www.brainstorm9.com.br/2008/01/09/a-campanha-e-design-de-barack-obama/

Matéria em Jan. 2008: http://veja.abril.uol.com.br/160108/p_062.shtml

Matéria em Fev. 2008: http://politica2008.wordpress.com/2008/02/06/boas-noticias-para-obama/

Matéria em Mar. 2008: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080306_lucasmendes_ac.shtml

O vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=BoGc77L1cZY