Assim que nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos.
William Shakespeare
Por que os Estados Unidos atacaram o Irã no meio de um processo de negociação que andava relativamente bem, já tinha outra reunião agendada, e não dava motivo para uma guerra? A maioria dos analistas diz que foi por causa das pressões de Netanyahu, que essa guerra seria “por procuração”. E estão parcialmente corretos. Mas as pressões já existiam há muitos anos. Então, por que justamente nesse momento tão aparentemente inoportuno e flagrantemente ilegal?
Porque
Trump foi bem-sucedido no sequestro do presidente nacional e tomada
de poder da maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela. A
captura do petróleo da Venezuela foi a jogada que deu coragem para
avançar e garante o estoque necessário de combustível de que os EUA
precisam para aguentar a resistência do regime iraniano... e a
inflação.
A
velha terra do Tigre e Eufrates já fazia essa leitura e se preparou
para o pior. Autofagia. Toda a estrutura petroleira está sendo
destruída. E com o assassinato, por parte dos bombardeios
americanos, de crianças em escolas e explosões de hospitais, os civis
dificilmente serão colaborativos antes de duas ou mais gerações.
Afinal, não haver resistência do mais fraco é de fato uma forma
de guerras acabarem… até que algum senso de injustiça
recomece a reunir grupos dispostos ao conflito extremo.
Se
ver um país destruindo suas próprias riquezas é muito triste, e se
a ação militar impetrada é patentemente injusta para quem estava a par das negociações, piora ao entendermos que “nada
contra o Irã”. Não obstante a caveira que se pinta do líder
supremo (ditador), o aiatolá Ali Khamenei, o país em si não é nem nunca foi
o objetivo final do deep state americano. Nesse jogo de elites
sociopatas chamado de guerra (onde soldados são sempre apenas
marionetes e não heróis, como se faz crer) ataca-se quem não está à altura, visando rebaixar um pouco quem está. A finalidade dessa ânsia de controle
mundial sobre as mil utilidades do petróleo é conter o
crescimento da China e a expansão da Rússia. As duas outras
potências nucleares que, por esse equilíbrio de forças, só podem
ser atacadas indiretamente.
Ao
se descobrir que o Irã não possuía arsenal nuclear, os EUA
passaram a enxergá-lo como uma jogada en passant, jamais como
um território para se selar a famigerada paz. Embora Trump tenha até
formado um “Conselho” para tratar do tema, e seu time de
marketing faça lobby pelo prêmio Nobel, tudo indica
que essa guerra deve se alastrar por meses, e o tempo revelará a
verdade que a palavra muitas vezes oculta.
Romero Maia
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