A novela sem fim dos contatinhos de Vorcaro (e que você devia saber mais)

 


"Se a aparência e a essência das coisas coincidissem,
a ciência seria desnecessária." (Karl Marx)

 

A capacidade que bancos detêm de, na prática, criarem moeda por meio do multiplicador bancário, operando em um famoso e antigo oligopólio financeiro, confere a essas instituições um poder econômico descomunal . Ele se traduz diretamente em incentivos para a captura sistemática do Estado. Até porque o financia. Isso é o que importa saber por trás do véu de elegância e austeridade que sustenta a aparência fiduciária. Simples assim.

Como o sistema financeiro centraliza as vias de escoamento e a criação da liquidez na economia, ele próprio acaba por financiar e condicionar a agenda pública, submetendo todos os poderes da República. Pessoas que vão abrir mão de "entrar na farra" são raras, tanto porque precisam resistir aos enormes incentivos quanto porque passam a ser chantageadas ou mesmo ameaçadas. Nesse arranjo, a ganância é endêmica e não constitui um mero desvio moral individual de alguns pecadores, mas um output "racional" do sistema que busca incitar impulsos internos (e neutralizar outros) comuns a todos. É propositalmente alimentado por famílias que compõem as "elites" de cada país visando maior retorno de controle sobre as outras famílias abaixo na pirâmide de comando. A ganância pode ser saciada a conta-gotas por quem tem esse poder de criar moeda, e assim garantir a estabilidade de sua posição. As pessoas mais "perigosas" terminam sendo as menos gananciosas... Mas, e tem sempre um mas... Isso já está embutido no cálculo. Xeque-mate: as menos gananciosas "tendem" a não ameaçar o poder diretamente justamente por não terem grande interesse nele. E assim segue o jogo necessário de incentivos voltados a acumular o máximo possível de riqueza antes da deflagração da próxima crise sistêmica previsível, servindo como mecanismo de salvaguarda para proteger o capital acumulado pelas elites e suas famílias. Vale ressaltar por que escrevi "tendem". Algumas figuras não muito gananciosas podem, elas mesmas, gerarem incentivos para diminuição da ganância em geral, e isso é perigoso. Um exemplo clássico é o de Jesus, cuja figura precisou ser ressignificada pelo Império Romano para incrementar a unidade e o controle sobre a população. 
 

Finda a digressão e de volta ao presente, onde temos bancos cristãos tanto no próprio Vaticano, o "IOR", quanto em São Paulo, no caso, o "Digimais" do pastor Edir Macedo, essa dinâmica financeira é agravada pela baixa capacidade do Estado Moderno (tb chamado de "burguês") de atuar de forma anticíclica nas crises, de promover a redistribuição real de renda ou de implementar políticas estruturais de bem-estar social, uma vez que a estrutura tributária vigente permanece fortemente regressiva, financiando-se por meio da espoliação da renda da classe média e da classe trabalhadora pobre, enquanto a especulação financeira e os já estratosféricos rendimentos das discretíssimas famílias da elite apresentam crescimento desproporcional, como mostra indiretamente a "ponta do iceberg" dos dados da Receita Federal sobre a acumulação no topo (detectável) da pirâmide de classes brasileira... perpetuando o ciclo vicioso de subdesenvolvimento e concentração de poder.

Essa é uma explicação conceitual da dinâmica do sistema financeiro no Brasil e no mundo. Algo tão antigo quanto a Suméria mas compreendido por pouquíssimas pessoas desde o início da civilização. Para quem tiver interesse de fazer mais que ficar acompanhando o noticiário através de "personagens", como se fosse uma novela (até porque a narrativa é posta dessa forma não só para mistificar mas tb para formar uma audiência), recomendo ler trabalhos de Paul Singer, Ladislau Dowbor, Eduardo Moreira e José Kobori (de preferência nessa ordem pois um bebe do outro) sobre as palavras-chaves bancos, empréstimos, finanças e criação de moeda. Os livros vão além dos personagens e revelam a estrutura, as regras e os incentivos. Por fim, para os que gostarem, vale a pena dar uma aprofundada nos diversos autores incluídos na chamada "Teoria Monetária Moderna" e, por outro lado, dar um tempo nessa cobertura novelesca e enviesada do jornalismo mainstream. Só serve para incentivar em você uma sensação de "todo mundo ganhou, menos eu", que podia ter sido uma  grande "oportunidade" de extravasar sua parcela de ganância nesse festim diabólico curiosamente ligado a Igrejas (nunca é demais frisar que Vorcaro tinha íntimas relações com pastor preso ligado a templos evangélicos da famosa família cristã "Valadão"), e que mantém a ordem das coisas há milênios:


 Boa leitura!

 
RomeroMaia@gmail.com
@SimpliciDados

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